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Veja como funcionam as novas câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo

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Tecnologia avançada promete melhorar a eficiência e transparência nas operações da Polícia Militar de São Paulo  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Governo de SP
Isabela Fernandes

por Isabela Fernandes

Publicado em 02/04/2025, às 13h53



São Paulo deu um importante passo rumo à modernização de sua segurança pública com a introdução de novas câmeras corporais para a Polícia Militar. O governo paulista firmou um contrato de R$ 4,3 milhões por mês para a implementação dessa tecnologia, que inclui a entrega de 12 mil dispositivos.

A iniciativa foi apresentada na LAAD Defence & Security 2025, uma feira de segurança que acontece no Rio de Janeiro até o dia 4 de abril. A expectativa é que as câmeras da Motorola Solutions proporcionem mais transparência e eficiência nas ações policiais.

Ao contrário dos modelos antigos, que exigiam ativação manual, as novas câmeras são integradas ao sistema de emergência 190. Isso significa que, assim que um policial é chamado para uma ocorrência, a câmera é automaticamente acionada.

Esse sistema elimina a necessidade do policial se preocupar em ligar o dispositivo durante uma situação de emergência, o que torna a gravação mais precisa e contínua.

Além disso, cada câmera possui um mecanismo que impede que ela seja desligada manualmente. A gravação segue até que a ocorrência seja oficialmente encerrada no centro de comando, o que garante que não haja interrupções acidentais ou intencionais durante o atendimento.

Cada equipamento tem capacidade para gravar por até 12 horas seguidas, cobrindo um turno de trabalho inteiro. Outra funcionalidade importante é o armazenamento automático dos 90 segundos anteriores ao acionamento, permitindo uma visão mais completa da ação.

Com foco na segurança e na prevenção de fraudes, o sistema adota um controle rigoroso para garantir que cada gravação esteja vinculada ao policial correto. Ao começar o turno, o agente utiliza um cartão de identificação, que é lido por RFID (Radiofrequência), e o sistema atribui aleatoriamente uma câmera ao policial. Isso assegura que não haja escolha pessoal do equipamento, aumentando a transparência no processo.

As imagens geradas pelas câmeras são armazenadas de forma criptografada e transferidas para servidores seguros ao final de cada expediente. O tempo de retenção das gravações varia de 30 dias a um ano, dependendo da política do governo. Para facilitar investigações e processos judiciais, os vídeos são automaticamente associados ao número do chamado registrado no sistema 190.

Rodolfo Gomes, diretor de soluções de vídeo da Motorola Solutions, destacou que a integração das câmeras ao sistema de emergência evita falhas na ativação durante o calor da ocorrência.

"Se um policial é acionado para uma ocorrência, a câmera dele entra em gravação automática. Além disso, se outro agente chega ao local, o equipamento dele também é ativado por proximidade, via bluetooth", explicou.

O presidente da Motorola Solutions do Brasil, Gustavo Ancheschi, afirmou que o uso das bodycams vai além da captação de imagens. "Agora, ela traz gestão, eficiência e inteligência para as operações, ajudando a tornar as abordagens mais assertivas e seguras", comentou.

Ele também enfatizou o impacto do investimento, que ultrapassou R$ 80 bilhões nos últimos oito anos, no desenvolvimento de um ecossistema de segurança pública no estado de São Paulo.

A fase de testes das novas câmeras corporais foi prolongada e vai até o dia 21 de abril. Depois disso, um novo relatório será entregue ao Supremo Tribunal Federal.

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